GENTE

De Amadeo de Souza-Cardoso a Pedro A. H. Paixão, Cem Anos de Representação Humana na Coleção Manuel de Brito

De 23 de Setembro 2016 a 19 Março 2017

 

A representação humana é tão antiga como o próprio homem e é transversal à arte desde a pré-história até à arte contemporânea. A necessidade de perpetuar a imagem humana, a vida familiar, laboral e religiosa, a efemeridade da vida, a degradação dos corpos ou os estados de alma sempre interessaram aos pintores e escultores.   

Encontramo-la na arte rupestre, na Vénus de Willendorf, nos frescos egípcios, nas paredes de Knossos, na arte grega com o seu ideal de beleza em que o ser humano aparece como modelo de perfeição, na arte romana, na arte medieval, atingindo a perfeição no Renascimento. Van Eyck, Botticelli, Hieronymus Bosch, Leonardo Da Vinci, Miguel Ângelo, Rafael, Brueghel, El Greco, Caravaggio, Rubens, Velasquez, Rembrandt, Vermeer, Goya ou Ingres são artistas que marcaram o seu tempo nesta prática. A sedução da figura humana continua a fascinar Manet, Cézanne, Renoir, Degas, Van Gogh, Gauguin, Klimt, Munch ou Matisse.

Entramos no século XX, onde a par do abstracionismo, há sempre um regresso à figura humana quer pelos cubistas, pelos expressionistas, pelos surrealistas, pela Pop Arte, pelos hiper-realistas. Picasso, Chagall, Modigliani, Giacometti, Frida Kahlo, Francis Bacon, Lucian Freud, Andy Warhol, Paula Rego ou David Hockney fazem uma nova abordagem à representação humana. No século XXI o tema não se esgota e temos, entre muitos outros, Ron Mueck, ou os irmãos Dinos e Jake Chapman.

Em Portugal desde o século XIV temos esculturas tumulares, retratos reais e pintura religiosa.

Do século XV são os painéis de S. Vicente de Fora, atribuídos a Nuno Gonçalves. Vieira Portuense, Domingos Sequeira, Cristino da Silva, Francisco Metrass, visconde de Menezes, António Ramalho, José Malhoa, Veloso Salgado, António Carneiro, Aurélia de Sousa, Columbano, Amadeo, Almada Negreiros, Dordio Gomes, Sousa Lopes, António Soares, Jorge Barradas, Carlos Botelho, Mário Eloy, António Dacosta, Júlio Resende, Júlio Pomar, Eduardo Luiz, Graça Morais ou Fátima Mendonça são alguns nomes destacados nesta área da figuração. Na área da escultura destacam-se Soares dos Reis, Francisco Franco, Canto da Maya, Martins Correia ou João Cutileiro.

Esta exposição tem obras de quarenta e três artistas. A obra mais antiga é o Pobre Louco, de 1915, de Amadeo de Souza-Cardoso, que esteve exposto este ano no Grand Palais, em Paris, e a mais recente Little Diamond Crown (Nina Simone in Memoriam), um pequeno desenho a lápis de cor, de 2015, de Pedro A.H. Paixão.

Vamos apresentar algumas obras adquiridas recentemente e nunca expostas como O Almoço do Trolha, de 1946-50, uma das obras mais emblemáticas de Júlio Pomar. Do período neorrealista retrata um ambiente familiar com um trabalhador das obras, num período de descanso, comendo uma sopa trazida ao seu local de trabalho pela sua mulher, que está sentada num tijolo com o filho ao colo.

Eduardo Luiz atravessou a sua curta vida tentando alcançar a perfeição na pintura. Le Miroir de Lady Chatterley, de 1969, é uma delicada pintura de um corpo feminino sobre madeira, montada numa armação antiga de um espelho. Em 1983 fez o seu autorretrato a que chamou póstumo, onde se vê a sua figura refletida num espelho estilhaçado por um tiro.

De Pablo Picasso temos uma ponta seca de 1922-23 e duas cerâmicas de 1956, de Sonia Delaunay uma aguarela de 1923. Milly Possoz, Arpad Szenes, Cartier-Bresson, Karel Appel, Jean-Michel Folon, Antonio Seguí, Bengt Lindström, Georg Baselitz , Barton Lidice Beneš e Yuri Kokoyanin são outros artistas estrangeiros com obras nesta exposição.

Francis Smith, Almada Negreiros, Jorge Barradas, António Soares, Mário Eloy, Júlio, António Dacosta, Júlio Resende, Menez, Pomar, Lourdes Castro, Bartolomeu Cid dos Santos, Paula Rego, José de Guimarães, Jorge Martins, Noronha da Dacosta, Fernando Direito, Graça Morais, Lisa Santos Silva, Alfredo Cunha, Rita Barros, Urbano, Fátima Mendonça, Ricardo Angélico, João Leonardo, Vasco Araújo, Diogo Evangelista e David Oliveira são outros artistas portugueses representados nesta exposição.

Maria Arlete Alves da Silva

Amadeo de Souza-Cardoso, O pobre louco, 1915, óleo sobre cartão, 39,5 x 32cm           
 

Mário Eloy, Amor, 1935, óleo s/tela, 104 x 80 cm

Antonio Seguí, Confrontacion innecesaria, 2004, acrílico sobre tela, 100 x 100 cm
 

Pedro A. H. Paixão, Little Diamond Crown (Nina Simone in memoriam), 2015, lápis de cor sobre papel, 20,9 x 14,8 cm