EXPOSIÇÃO LAÇOS DE FAMÍLIA

Menez, Ruy Leitão, Joana Leitão Salvador e Madalena Leitão

Até 13 de Setembro 2015

Esta exposição pretende estabelecer um exercício de diálogo e de confrontação entre as obras tão diferentes de quatro gerações da mesma família. E questionar se haverá genes criativos que se vão transmitindo neste caso de mãe para filho e netas?
 
Nascida em 1926 Menez começou a pintar aos 26 anos, sem nunca ter tido mestres ou frequentadas escolas. Aprendeu pintando. Nunca dava títulos aos seus quadros nem gostava de falar do seu trabalho, a pintura tem que falar por si, sem necessidade de palavras. Dizia não perceber a abordagem que os críticos fazem da arte, eles dizem coisas sobre a pintura como se ela fosse uma coisa completamente desligada de tudo o que é importante na vida.
Com a perda dos dois filhos mais velhos passou da pintura abstrata dos primeiros tempos para a figuração em que pinta cenas bíblicas. É fácil representar a felicidade de uma forma abstrata, mas a tristeza tem uma fisionomia específica.
Em 2007 apresentámos no CAMB uma exposição antológica de Menez com 41 obras da coleção Manuel de Brito.
 
Ruy Leitão nasceu em 1949, estudou em Londres onde foi aluno de Patrick Caulfield, nome maior da Pop Art Britânica. Pratica uma pintura urbana com uma grande profusão e multiplicidade de imagens, como lápis, botões, pentes, chapéus, sapatos, sacos, saias, casacos, laços, tecidos. As suas paisagens funcionam como tramas com elementos repetitivos. Tinha um projeto, de que mostramos dois trabalhos, de fazer pinturas como se fossem peças de tecido para serem vendidas a metro. Terminou a sua vida aos 26 anos deixando dezenas de desenhos e pinturas em papel e uma pintura a óleo. Tão pouca vida para tantos projetos. Paula Rego escreveu É um artista único. Na Pintura Portuguesa acho de longe o melhor da sua geração apesar de que para mim é um dos melhores de sempre.
 
Nascida em 1971 Joana Leitão Salvador cresceu a ver as pinturas da sua avó mas criou o seu próprio universo poético com paisagens fantásticas e um mundo imaginário de rara beleza. Depois dos cursos de pintura, desenho e ilustração da Ar.Co, continuou a sua formação em tapeçaria e cerâmica na Faculdade Belas Artes de Lisboa. Recorreu a técnicas como a monotipia ou a encáustica a par da aguarela e do guache. Os últimos trabalhos são inspirados em sacos de plástico, resíduos que normalmente vão para o lixo mas que aproveitou para criar novas peças em desenho, tapeçaria e escultura. Fez recentemente umas peças pequenas em cerâmica a que chamou Afeto em Pensamento e uma peça grande que se pode dizer ser a pele da artista, onde a vida se torna em matéria e a matéria se torna vida.
Numa entrevista à 30 DIAS, em 2007, Joana disse Tanto a minha avó como o meu tio são, por acaso, dos pintores de que mais gosto. Acho que o meu tio era um génio e a minha avó tinha uma sensibilidade muito feminina e profunda.
 
Madalena Leitão nasceu em 1991 fez um curso de animação 2D/3D na Escola Profissional de Imagem e outro de animação digital na Universidade Lusófona. Em 2013 realizou o filme O Violinista, uma curta-metragem de animação em 3D e papel. Vive e trabalha em Berlim. Nesta exposição vai apresentar duas pinturas digitais.
 
 
Maria Arlete Alves da Silva

Menez, Sem Título, 1988, guache sobre papel, 30,5 x 40 cm

Ruy Leitão, Sem Título, 1972 - 73, guache sobre papel, 42 x 58 cm

Joana Leitão Salvador, Sacos de Plástico - Everybody wants a box of chocolates, 2014, lápis e acrílico sobre papel, 50,5 x 69 cm

Madalena Leitão, Bear, 2015, pintura digital