Preâmbulo do Protocolo com os Herdeiros da Colecção Manuel de Brito

 

Este protocolo surge da convergência do interesse da Câmara Municipal de Oeiras e da vontade de Manuel de Brito e da sua esposa Arlete de Brito em criar no concelho um pólo de referência no âmbito do circuito cultural nacional que acolhesse e dinamizasse um acervo representativo da arte visual portuguesa do século XX, tendo por base o trabalho realizado pela família ao longo de décadas, no domínio das artes plásticas, e que fazem desta colecção uma referência incontornável da segunda metade do século XX.
No âmbito dos pressupostos que têm orientado a política cultural desenvolvida por este Município e que visa articular as suas diferentes componentes e como consequência da crescente receptividade às dinâmicas culturais, considera-se de extrema importância o surgimento no reabilitado Palácio Anjos em Algés de um Centro de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Manuel de Brito, que permita projectar a pintura portuguesa do século XX e XXI e o Concelho de Oeiras de forma efectiva no domínio cultural, quer numa primeira plataforma na Área Metropolitana de Lisboa, quer numa segunda e terceira, ao nível nacional e internacional.
O suporte e a promoção da arte contemporânea correspondem, no quadro das políticas culturais, à variável de incentivo à novidade e ao desenvolvimento. Neste sentido considera-se que a realização de uma acção de longa duração neste âmbito é propiciadora de novos públicos, de atracção de artistas contemporâneos e operadores culturais conexos para o Concelho, de aumento de visibilidade e prestígio numa área que tem por característica estender os efeitos de visibilidade ao promotor.
Assumindo o potencial que este novo espaço terá enquanto instrumento estratégico de acção sócio-cultural e enquanto agente educador e promotor de cidadania pretende-se contribuir de forma decisiva para uma maior qualificação dos oeirenses e dos portugueses em geral. Deste modo é intenção que este centro se assuma enquanto pólo gerador de novas sinergias culturais e turísticas promovendo por esta via o desenvolvimento económico do concelho e do país.
De acordo com o modelo de Centro a instituir e a par da dignificação e divulgação da Colecção de Arte Manuel de Brito que constituirá o núcleo central da sua actividade através de uma exposição de longa duração, será intenção desenvolver as diferentes valências que decorrem da sua existência, bem como a promoção de um programa expositivo, lúdico, formativo e pedagógico que lhe poderá ser conexa ou não e que traduza um espírito de abertura à arte visual contemporânea, reflexo da transversalidade das suas expressões artísticas, desenvolvendo um papel essencial na construção e afirmação da identidade do Centro num cenário a médio e longo prazo.
É ainda de referir que Manuel de Brito, foi um ilustre munícipe de Concelho de Oeiras, tendo sido condecorado com a medalha de márito municipal na área da cultura, grau de ouro, como forma de reconhecimento do trabalho por si desenvolvido, designadamente por ser ”…um dos nomes mais importantes da divulgação internacional da Arte Portuguesa Contemporânea, e pelos grandes serviços prestados ao Estado e ao País na recuperação e divulgação de obras e artistas plásticos portugueses.