ARTES & LETRAS

De 15 de Abril a 11 de Setembro 2016

O meu marido, Manuel de Brito, e eu, iniciámos a nossa vida profissional como livreiros. À paixão pelos livros juntou-se depois a paixão pelas obras de arte. Se a coleção de arte é importante não o são menos os milhares de livros catálogos e documentos que enchem todos os espaços possíveis da casa de família e das diversas salas do escritório da galeria.

A ideia de juntar livros e obras de arte estava prevista, desde o início, no programa do CAMB. O trabalho mais antigo desta exposição é um Retrato de Baudelaire, uma água forte feita por Édouard Manet, em 1862. Segue-se um Retrato de Eça de Queiroz, uma gravura em ponta seca, de Abel Salazar.
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Fernando Pessoa é o poeta mais desenhado, gravado e pintado pelos artistas Almada Negreiros, Lagoa Henriques, Júlio Pomar, Bartolomeu Cid dos Santos, Costa Pinheiro e José de Guimarães.
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Júlio Pomar, desde muito jovem, ilustrou livros e fez retratos de poetas e escritores. O Gato das Botas, As Peregrinações de Fernão Mendes Pinto, Edgar Poe, Charles Baudelaire, un Orang-Outang e le Corbeau, desenhos do Pantagruel de Rabelais, desenhos do Romance de Camilo de Aquilino Ribeiro, os retratos de Camões, Bocage, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa e Almada Negreiros são alguns dos trabalhos que se mostram nesta exposição.
 
Bartolomeu Cid dos Santos fez gravuras sobre Fernando Pessoa, os seus heterónimos e a Ode Marítima. Os livros de Jorge Luís Borges foram uma fonte de inspiração para a série dos Labirintos.
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Paula Rego é uma artista seduzida pela literatura. Inspira-se nos contos tradicionais portugueses, nas canções infantis inglesas, nos livros dos escritores portugueses Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz, na Jane Eyre da escritora inglesa Charlotte Brontë ou no livro Casa de Campo do escritor chileno José Donoso.
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O Epitáphio de João Vieira remete-nos para o poema de Ângelo de Lima que foi publicado no número dois da revista Orpheu. Como Júlio Dantas tinha chamado paranoicos aos jovens poetas que colaboraram no número um da revista, para o segundo número Fernando Pessoa escolheu este poeta, que estava internado no hospital de Rilhafoles. Nesta exposição temos um exemplar do Manifesto Anti-Dantas e Por Extenso por José de Almada Negreiros, Poeta d’Orpheu Futurista e Tudo. De Almada temos também um exemplar da Invenção do Dia Claro.
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A Expansão do Universo com um Poema de Novalis de Jorge Martins, retratos de Guerra Junqueiro, António Nobre e Antero de Quental de Urbano, Of the Monstrous and Less Erroneous Pictures of Whales de João Pedro Vale, inspirado no livro Moby Dick de Herman Melville, Fragments of Love Songs de Jorge Santos, livros em pedra de Manuel Rosa e Martinho Costa ou Um Jardim para Emily Dickinson de João Francisco são algumas das obras expostas.
 
Maria Arlete Alves da Silva

João Pedro Vale, Of the Monstruous and Less Erroneous Pictures of Whales (1), 2009, óleo sobre tela, acrílico sobre tela, impressão digital sobre tecido, madeira, plástico, esferovite, gesso, parafina e ferro, 115 x 160 x 15 cm

 

 
Paula Rego, Contos de Fadas, 1985, acrílico sobre papel, 88 x 63 cm
 

Júlio Pomar, Edgar Poe, Charles Baudelaire, un Orang-Outang et le Corbeau, 1983, acrílico sobre tela, 195 x 130 cm